sábado, 30 de maio de 2026

Confraria da Correa Dutra e Amigos — um tributo para o amigo Frango Del

Maio nos carrega com o perfume das flores e o riso dos que completam mais um ano de caminhada. À nossa Confraria da Correa Dutra e Amigos, que soma mais de cinquenta anos de cumplicidade e chegará, neste ano, à sua 26ª Reunião ininterrupta, já brindamos com carinho os aniversariantes deste mês, em que me incluo com muita alegria e satisfação. Que a saúde nos alongue os passos, que a alegria nos aqueça as manhãs e que cada abraço recebido hoje valha por muitos reencontros. Renovamos os parabéns para todos nós, amigos de maio. Nós iluminamos a roda, alimentamos a memória e lembramos que a vida é melhor quando celebrada em conjunto.

E não podemos deixar passar uma singela homenagem — um tributo ao nosso amigo que partiu, cuja presença permanecerá sempre acesa entre nós.

Frango Del Macumba, presença que não termina

Há turmas que atravessam décadas como rios de lembranças. A nossa Confraria é um desses cursos que não secam. Somos mais de cinquenta anos de histórias, gargalhadas e cuidados, e chegando em breve, à sua 26ª Reunião ininterrupta, com mais de quarenta corações que se reconhecem pelo nome, pelo abraço e pelo silêncio confortável de quem já disse tudo sem precisar falar. A idade nos encurta os passos, mas alarga a alma. A maioria já beira os setenta, e sabemos — com ternura e bravura — que a vida afunila. Nem todos conseguem chegar a cada encontro, ainda assim, ninguém fica para trás.

Com o passar dos anos, aprendemos que a ausência é apenas uma outra forma de presença. Quem não vem, vem mesmo assim, em fotografias, em histórias repetidas de propósito, em apelidos que saltam do passado para puxar um sorriso de agora. Os que partem ganham um assento reservado: não à mesa de madeira, mas na mesa maior das lembranças. Ali, nunca falta lugar.

No dia 26 de maio silenciou-se uma das vozes que mais nos convocavam à alegria: Marco Neves, o nosso Frango Del Macumba, pilar desta turma. Seu riso, e sua voz marcante, destravavam portas antigas, sua chegada era delicadeza, sua permanência, o cuidado. Partiu o amigo, fica a amizade — que não aceita despedidas definitivas. Enquanto pronunciarmos seu apelido com carinho, ele sai do retrato e vem se sentar entre nós.

Para dizer o que o coração já sabe, amigo verdadeiro é quem está, mesmo quando não pode. Morar longe, pode somar anos de silêncio, mas o reencontro devolve o tempo ao lugar certo, e o coração acerta o caminho.

Amizade sincera não se apaga: não há ex-amigo. Quem declara que deixou de ser talvez nunca tenha sido. A verdadeira amizade é um fio que não arrebenta: estica, canta, sustenta o peso dos anos e a leveza dos risos. Nisso, Frango Del é exemplo inteiro — um modelo de lealdade para quase todos nós, a prova viva de que estar junto é um verbo que não envelhece.

Há uma música que só a Confraria ouve: mistura saudade e celebração. Choramos os que se foram, mas dançamos por eles. Brindamos à memória como quem acende luz em janela antiga. Os que partiram olham de volta, e o brilho se acomoda nos olhos de quem fica. A próxima reunião — a vigésima sexta, a vigésima sétima, e quantas vierem — renovamos o pacto: lembrá-los sem melancolia pesada, honrá-los com alegria verdadeira.

No próximo encontro, haverá cadeiras vazias que ninguém preencherá — lugares marcados pelos que adiantaram a travessia. Sobre elas, poderá repousar o peso leve de um chapéu de palha, de uma piada interna, de um apelido que só nós entendemos. Ali, Frango Del, você permanece, não como ausência, mas como presença que mudou de lado. Quando a gargalhada, ou seu canto, explodir do nada, saberemos de onde veio.

Se a eternidade existe, mora no cotidiano, no café que demora, na lembrança que insiste, no “como vai?” que realmente quer saber. A Confraria é esse jeito de tornar o tempo amigo, seguimos, mais lentos nas pernas, mais vastos no afeto. E enquanto houver quem conte as mesmas histórias com a mesma alegria, ninguém se perde no caminho.

Frango Del Macumba, nosso Marco, fica aqui o brinde que não termina: à sua voz nos sambas, que só você sabia como cantar, na tua risada que cabe em todos nós, à tua lealdade que cabe na palavra amigo. Seguimos reunidos, porque é assim que a tua memória gosta de viver, na roda de um samba, no papo regado, na fraternidade com a família e na lealdade com os amigos. E quando, um a um, a vida nos chamar para a outra mesa, que seja para reencontrar-te no mesmo riso — como sempre foi, como sempre será.

A amizade, na Confraria, não conhece ponto final, só vírgulas — pausas para respirar e continuar. Que nossa história siga escrita com afeto e coragem, e que cada reencontro renove os laços que nos fazem eternamente amigos. Viva a Confraria da Correa Dutra e Amigos — hoje, amanhã e sempre. 





Nenhum comentário: