sábado, 12 de março de 2022

DIAS INESQUECÍVEIS

Ontem foi um daqueles dias que a gente nunca vai esquecer, independente da idade ou da época. Passei  por um procedimento cirúrgico, já realizado por alguns de nossos amigos, mas que nenhum deles comentou com os detalhes que gostaríamos de saber, e nem sei se agradeço por isso. Então resolvi deixar registrado o que passei. 
Ao longo desta tarde de 11 de março de 2022 fiz a extração de 8 dentes e coloquei  4 implantes que darão suporte a uma “prótese protocolo (total)”, a ser aplicada na arcada inferior.  Uma experiência que sempre vemos como nada agradável, mas posso garantir que necessária. Uma consequência natural da idade e também da falta de um tratamento adequado ao longo dos anos, que reconheço e não tenho como negar.

Inicialmente tenho que parabenizar a equipe que me atendeu, pois além de lindas moças, foram extremamente profissionais, e até agora, ainda com menos de 24h, estou muito bem, sem dores, tranquilo, mas atendendo a todas as recomendações médicas de  muito sorvete e líquido gelado.

Claro que consegui algumas fotos do procedimento, mas sei que nem todos gostariam de aprecia-las tanto quanto eu, portanto selecionei apenas algumas, as mais simples, para que possam curtir o antes, durante e depois, e quem sabe, sirvam também de aviso para que não se descuidem, pois o tempo passa e o balde nos espera.

A clínica, que faço questão de indicar, é a Oral Sin Implantes - SIN Niterói, muito bem instalada e com uma equipe excepcional, desde as recepcionistas até os principais profissionais que me atenderam. Na maioria meninas jovens, simpáticas e bem preparadas. 
Posso afirmar que hoje foi o início de um novo tempo, com menos problemas dentários e a esperança por dias melhores, e antecipadamente já agradeço por estar aqui e agora, e estas lembrancinhas para o futuro. 
Gostaria de agradecer e nominar a todos, mas corro o risco de esquecer algum nome, então prefiro deixar assim, mas com um obrigado geral e carinhoso para todos. Sei que é só o início e teremos mais algum tempo juntos mas do jeito que foi esta fase, tenho certeza e confiança que vai dar tudo certo.







Mas minha história de sofrimento dentário tem início há muito tempo, desde criança, e este texto pode até ser útil para chamar a atenção de nossos jovens, para que não deixem de manter os cuidados necessários com os dentes, um apelo constante de nossos amigos e dentistas,  Dellaney e Sandra, ao longo de nossas vidas, principalmente que depois de formados, eu e minha família, e tantos outros amigos, viramos seus pacientes e levamos muitos puxões de orelhas.

Não sei dizer como foram meus dentes de leite, mas tão logo os definitivos foram nascendo, meus problemas iniciaram. Muito novo, na faixa dos 15 anos, talvez nem com toda a dentição permanente, tive que arrancar um dente que começou com uma pancadinha e uma dorzinha, daquela que a gente acha que vai passar e só reclama quando bate um gelado, e que naturalmente escondemos  dos pais até que um dia não tem mais como não ir ao dentista, pois só de pensar naquele motorzinho, já era razão para tentar esquecer as bochechas inchadas. E o pior veio junto com a dor de dente e o inchaço, uma inflamação daquelas que o dentista é cruel no diagnóstico: balde ( a grande alegria de nosso querido Della ).

Naquele tempo, mais de meio século atrás, a odontologia não era tão evoluída como é hoje e não saberia dizer se o dente poderia ou não ser salvo. E não tinha como não aceitar o diagnóstico do Dr. Dilson, um profissional qualificado e Prof. da Faculdade de Odontologia, e além disso ainda gostava de um drink, tanto que em um de nossos atendimentos, minha mãe, com aquele jeitinho que todos conhecem, só faltou pegar um boticão para tirar um dente dele, já que ele mal conseguia ficar em pé, mas isso foi bem depois da batalha dentária que eu iria enfrentar.

Foi minha primeira extração, fora de tempo, e um dia que a gente realmente não tem como esquecer. Fui ao dentista acompanhado por um tio, pois minha mãe já sabia que seria uma situação muito difícil, e assim foi. A anestesia não pegava direito, e o Dr. deixou bem claro que teria que extrair aquele dente, pois era muito arriscado continuar daquele jeito. Ele pediu para meu tio ajudar a me segurar na cadeira, mas no desespero que eu estava, ele sozinho não conseguia e chamou mais duas pessoas que estavam na sala de espera para ajuda-lo. Me lembro bem que numa das minhas tentativas de fuga, consegui derrubar um no chão, mas depois de muito choro, gritos e do próprio desgaste pela luta, conseguiram me segurar e o ágil Doutor, de um jeito que nem sei como, conseguiu tirar o dente, que já deveria estar meio mole. Foi uma experiência que marcou muito e talvez tenha servido para eu não ter sido muito “frequente” nos Consultórios Dentários.

Minha segunda experiência, e que tenho também uma forte lembrança, foi poucos anos depois, quando numa consulta, ainda sob os cuidados do Dr. Dilson, MAIS uma vez ele veio com aquele discurso de teríamos de fazer uma extração. Tenho certeza que notei um risinho, o mesmo que Dellaney deixava escapar quando me mostrava o balde em nossas últimas e derradeiras consultas.

Eu tinha um dente no “céu da boca”, que já tinha sido notado pelo Dr. em consulta anterior, mas que não doía, e eu até brincava com ele. No entanto, após seu diagnóstico, ele me disse que não poderia continuar daquele jeito e que iria esperar um pouco mais para definir o tratamento. Após alguns Raios X, o Professor afirmou que mesmo de aparência inofensiva, sem dor, era uma anomalia e que poderia trazer alguns problemas na saúde bucal. Disse que era um dente extranumérico e que estava pressionado pela falta de espaço na minha arcada dentária, e a solução era o famigerado balde e pediu autorização para trazer uns alunos para verem a técnica, pois era um tratamento especifico e um dos problemas estaria relacionado com o palato que poderia até ceder, o que me deixou realmente com aquelas pulguinhas atrás das orelhas. Lembro que foi uma semana muito difícil para mim, e que fui escondido em seu Consultório para perguntar se não tinha um outro “jeito” para resolver o problema, e ele estava num daqueles dias alegres, me abraçou e disse para voltar no dia da consulta marcada. Deu uma risada e trancou a porta.

Não tive como escapar, e no dia e hora marcados, lá estava eu, um pouco mais calejado e com a promessa do Doutor que não iria doer, era só umas duas agulhadas e nada mais (isso não mudou, eles continuam a mentir com uma facilidade que a gente quase acredita). Com ele estavam dois alunos e depois das apresentações, ele me colocou na cadeira e explicou o que faria. Deu uma verdadeira aula, inclusive para mim, e acredito q me ajudou a relaxar, mas o tal do palato caído não saia da minha cabeça.

Ele iniciou colocando uns algodões na boca e dando uma primeira anestesia bem superficial, que doeu bem menos que eu esperava. Depois comentou que era um primeiro toque para minimizar o efeito das agulhadas seguintes, que mesmo assim doeram, afinal não são todos os dias que arrancamos um dente no céu da boca. Cheguei a lembrar daquela minha batalha alguns anos atrás, mas ele mesmo chamou esta atenção, dizendo para os alunos que eu tinha lhe dado muito trabalho mas com uma técnica que não sei qual foi, ele conseguiu grampear e tirar um dente quebrado e infeccionado, e que eu tinha dado sorte de não ter pego uma infecção maior.

A anestesia foi um sucesso e eu consegui relaxar, e também tenho certeza que após esse dia passei a me controlar bem melhor nos Consultórios. Um trauma bom superou um trauma ruim. E tudo ia muito bem, o Professor terminou sua aula e os alunos já se preparavam para ir embora quando segurei a mão de um deles e apontei para minha boca. Ele não entendeu direito, pois tudo tinha dado certo, mas insisti e ele chamou o Dr. Dilson, que olhou, pegou uma pinça e tirou um chumaço de algodão, que eu achava que era o “palato que tinha caído”. Outro dia inesquecível.

Mas não parou aí. Nos meus  17 anos, e esta data eu lembro bem e vocês logo vão saber o porquê e algumas consequências.  De um sangramento nas gengivas que não cuidei bem, o fluxo aumentou e também apareceu nos dentes da frente uma pulgação que me preocupou mais quando levei uma cotovelada num treinamento (Karate) e um dente da frente, central ficou abalado, e eu quietinho, esperando o dente ficar melhor, no entanto não tem jeito, quando a gente se machuca sempre nos machucamos novamente no mesmo local, e quando achava que estava melhor, mesmo com o sangramento incomodando, resolvi comer uma maçã do amor, que de amor não tinha nada, e quebrei o dente da pancada, de cima abaixo.  E lá fui eu para o Professor Dilson, que naquela época já bebia um pouco mais e nem atendia como antes. Mas eu tinha que tratar e veio novamente um diagnóstico que me apavorou. Disse ele que além do dente com a raiz fraturada, estava também com uma tal de ”piorreia”, e teria que tirar os dois dentes da frente, e talvez outros. A solução, mais uma vez, foi o sinistro balde.

E dessa vez me abalou mesmo.  Hoje eu sei que passei por um período de depressão. Não saia de casa, e atormentado porque o Professor tinha me dito que precisava de um tratamento urgente nas gengivas pois a piorreia poderia me fazer perder todos os dentes. Uma ameaça que me deixou para baixo. Me afastei até da namorada, e sem explicar muito acabei por terminar com o namoro com a Sonia, e ela não entendeu nada, e acho que até hoje, quase 40 anos de casado, ela ainda não entende bem o que houve, quem sabe se a leitura deste texto não poderá ajudar? Isto é se ela ler, já que como tantos de nossos amigos, infelizmente não acompanham nosso blog.

Fui para uma Clínica, na Tijuca, fiz alguns exames e tive uma boa notícia, que eu tinha chegado a tempo, a gengivite era forte mas a piorreia não tinha sido diagnosticada e o chato é que talvez pudesse ter salvado o dente que não estava quebrado. Iniciei o tratamento imediato com uma cirurgia num quadrante superior, e só depois da cicatrização deste e dos outros, que ele, Dr. Ari, recomendava a colocação de um root ortodôntico, aparelho muito utilizado na época, e isso iria demorar pelo menos uns dois meses.

Liguei para meu pai, que trabalhava em São Paulo e expliquei a situação. Ele entrou em contato com o setor médico da RFFSA e lá fui eu para Sampa (algumas vezes com o Anterão a tira-colo) ouvir outra opinião. Cheguei com o bigodão que tampava o buraco dos dentes e o dentista local tinha outra visão, de que poderia colocar o aparelho e tratar as gengivas com outra técnica, sem a cirurgia que tinha sido feito, e em uma semana já estava com os dentes da frente, e sem o bigodão, e voltando a cada 15 dias para terminar o tratamento, com a vantagem de aproveitar algumas festas no Nacional, clube ferroviário que meu pai era Diretor Social e uns drinks noturnos, quando meu pai me apresentou Benito de Paula e Amália Rodrigues, uma famosa cantora portuguesa de fado, além de fazer uma amizade bem colorida com uma assistente da clínica.  Foi um bom período e o melhor, sem balde.

Nessa época, me alistei na Aeronáutica, para fazer prova para a Academia, e não passei. Fui para a Marinha, fiz a minha prova, que foi bem fácil, e também a do Santa, mas na hora de marcar meus  cartões sobrou questão e resposta e me enrolei, não dando tempo de revisar, resultado, nem fui ver o resultado, e no ano seguinte, já na Faculdade, tinha que me apresentar para o serviço militar, e para não viajar e atrapalhar os estudos, resolvi ir para o Exército, mas na apresentação me colocaram naquela sala cheio de moleques e os veteranos sacaneando todo mundo. Vi que eu seria peão e também atrapalharia a Faculdade, então resolvi a parada na avaliação médica. Estava tudo bem, físico legal, teste de força com parabéns do instrutor e veio a inspeção dos dentes, eu tinha tirado o aparelho e forçado a gengiva com a escova de dente, que deixou marcado um pequeno sangramento.  O sargentão veio, mandou abrir a boca e foi logo perguntando sobre a falta dos dentes e a situação das gengivas, minha resposta foi direta, “tenho piorreia e estou tentando tratar”, levei uma cruz vermelha no peito e reprovado no exame. Voltei para casa e agradeço a lembrança do Dr Dilson e do balde.

E após esses dias inesquecíveis, foram quase 40 anos de eventuais baldes, que depois da pandemia, quando parei o tratamento das gengivas, que tinha iniciado pouco antes, veio a maior das consequências, cada visita ao Dr. Dellaney, era um dente no balde, sempre acompanhado de um sorrisinho e sua frase mais habitual, “eu te avisei”, e avisou mesmo.    

E por tudo isso, por esses dias inesquecíveis, hoje reconheço que não dei a atenção necessária aos meus dentes e por isso recomendo sempre para os filhos e netos, e também para os amigos em geral, que não se descuidem dos dentes e das gengivas, tal como meus amigos, Dellaney e Sandrinha, sempre alertaram, a mim e a vários amigos de nosso grupo.

Até breve.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022

"Penso, logo existo"

 Robson Huebra, nosso amigo e parceiro, Robson Pirata, é o filósofo de nosso Grupo, e pelo visto está cada vez mais empolgado em enriquecer nosso blog com seus textos que nos faz pensar, e isso é bom, pois assim nos lembramos que nós existimos.

“Essa pergunta do face, no que você está pensando, é uma pergunta universal. "Penso, logo existo." A existência humana é um fluxo de pensar continuo. Estamos o tempo todo a pensar. Pensamos no que vamos comer, no que vamos falar, em como vamos resolver aquele problema, aquela equação. Pensamos no que aconteceu ontem, naquilo que está rolando nesse momento, em como iremos nos comportar amanhã, seja naquele encontro, seja naquela reunião, seja na entrevista de emprego. " O pensamento parece uma coisa a toa, mas como é que a gente voa, quando começa a pensar... Felicidade foi embora e a saudade no meu peito ainda mora". O pensamento é a ponte, que liga o indivíduo que deseja conhecer, ao objeto que precisa ser conhecido. Assim, caminhamos por esse mundão pensando sem parar. Agora, penso que essa pandemia veio, como uma freada brusca de um ônibus, chacoalhar à todos, fazendo com que posicionados em outros lugares possamos rever nossos conceitos. Vejam bem, em dois anos nossas vidas mudaram completamente. Os amigos não nos rodeiam mais, as viagens ficaram raras, trabalhos foram perdidos, modificados, a coisa virtual se consolidou. Ave! Internet. Penso que nunca pensamos tanto. Penso que tudo parece muito diferente, não há mais leveza, não há mais paciência, não há mais romantismo. O movimento é rude , seco , objetivo demais . Penso, meus amigos, que urge nesse início de século, uma necessidade de uma reflexão séria no sentido de buscarmos o tempo perdido. Proust já escreveu sobre isso, mas nós precisamos escrever também. O tempo, uma invenção do homem, precisa ser ocupado por nós de forma mais amorosa, ética e pragmática, pois afinal é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã. No que você está pensando?”

Robson Pirata

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022

Conversa de menino


          Em 1970, minha vida era vivida no ritmo que é dado a um menino carioca de 13 anos; escola, brincar e ir à praia com os amigos; era tudo com o que eu tinha que me preocupar. Não mais do que isso.

Foi o ano em que o Brasil sagrou-se tricampeão no México. Um ano também, em que os porões da ditadura selavam o destino de muitos brasileiros contrários ao regime de governo da época. Eu tinha 13 anos e ouvia meu pai dizer que a “coisa estava feia” e não entrava em detalhes.

Estávamos em pleno auge da ditadura. Havia um sentimento estranho no cenário político da época. Vale dizer que em 1969, Marighela foi morto pela polícia em São Paulo e a imagem dele metralhado dentro do carro, estampava as primeiras páginas dos jornais. Um horror de ser visto nas bancas de jornais! Isto recentemente me fez lembrar que ele foi meu vizinho no 131 da Correa Dutra. Ele morava no apartamento 804; e lembrei também, que estive no apartamento dele, junto com um amiguinho e o pai dele, que conhecia Marighela e talvez por ser vizinho do 803, baiano também ou simpatizante da causa, entramos no apartamento dele, nem sei porque. Isto aconteceu, possivelmente em 68.

Certo dia, conversando com Puck, movido talvez pelas notícias que circulavam naquela época, sobre terroristas, prisões, comunistas, torturas e não lembro mais o que, comentei que se eu fosse polícia, eu saberia como lidar com eles.  Seria fácil obter informações dos “vermelhos” aplicando algumas técnicas de tortura. A inconsequente e desvairada imaginação de um guri com 13 anos ou um pouco mais, se evidenciava naquele momento.

- Sabe, Puck? Pra mim seria fácil fazê-los falar! Entregariam tudinho!

- É? E o que você faria de novidade, sabidão?

- Bom, tem aquela tortura chinesa de deixar um pingo d’água caindo na testa...

- Peraí! Essa já existe!

- Eu sei, cara! Deixa eu falar! Deixava os pinguinhos caírem e aproveitava que enquanto eles estava amarrados, enfiava um prego enferrujado bem no buraco do pinto deles! Imagine! Além da dor, morreriam de tétano! Viu, que ideia genial?

Pude ver os olhos arregalados do Puck e ri ao vê-lo num misto de assombro e incredulidade, ao perceber que aquele guri, que ele considerava como amigo, pensava em tal atrocidade.

Passaram-se mais de 20 anos desde que tive esta conversa com Puck.

Certo dia acordei, abri a janela e pude ver o sol nascendo e iluminando o rio Danúbio. Meu apartamento modesto, com poucos móveis, situava-se em Budapeste, na Hungria, na avenida Nagytétenyi út, nº 157 – 3º andar; com vista para o famoso rio. Um espetáculo que acalentava minha solidão; tantos anos longe do Brasil, longe dos amigos e do jeito brasileiro de ser. Meu olhar perdido em lembranças.

Vivia apenas para o trabalho e não me dava o direito de ter amigos, nem de casar, ter filhos, estas coisas que as pessoas normais fazem ao longo da vida. Acordava e ia para o trabalho de instrutor da Academia de Polícia Húngara - Magyar Rendőrakadémia, treinar jovens policiais em técnicas de combate às quadrilhas de milicianos e inimigos do governo.

Nesta época, escrevi um manual: "Az ellenséges meggyőzési technikák és a városi gerillataktika katonai gyűjteménye” – Compêndio paramilitar de técnicas de persuasão e táticas de guerrilha; sendo este o material aplicado no treinamento daquela horda sanguinária comunista.

Muitas noites ficava acordado, insone, pensando como eu fui parar naquele país. Nunca tive simpatia pela ideologia marxista, apesar de ter lido muito sobre a revolução russa – mais por interesse em evitá-la do que pela vontade de vive-la. Mas isto é outra história. Outro dia eu conto.

Youseph Trinks era um jovem de vinte e poucos anos, que estava em seu estágio de aprendizado e treinamento. Vinha de uma família de camponeses e tinha deixado sua mãe e duas irmãs adolescentes no interior, em Érpatak, cidadezinha a 150 km, onde morava. Seu objetivo era dar conforto a sua mãe e bons estudos às suas irmãs; por isso, ingressou na polícia húngara com ambições de ascensão funcional e ganhos satisfatórios.

Testei várias vezes o pobre Youseph. Queria ver até onde ele iria em seus escrúpulos e objetivos. Do que seria capaz de fazer. Por diversas vezes, entreguei a ele, o comando de algumas tarefas que qualquer cristão com um mínimo de sanidade se recusaria. Uma delas, era obrigá-lo a beber 1 garrafa de pálinka – bebida típica húngara, podendo chegar a 70% de teor alcoólico; entregar-lhe uma pistola e pedir que atirasse em um isqueiro, sobre a cabeça de algum prisioneiro. Demorou um pouco, mas o rapaz, acabou se saindo bem, depois de 18 tentativas, é fato – tornou-se um exímio atirador. Um outro teste foi colocá-lo em uma piscina com duas anacondas famintas e dois prisioneiros com as mãos e pés amarrados. A missão seria, livrar os prisioneiros sem que as anacondas pegassem os três. Mais uma vez, Youseph custou a se sair bem. Não posso dizer o mesmo dos prisioneiros; que invariavelmente não colaboravam. Mas depois de 10 tentativas, Youseph conseguiu salvar os dois prisioneiros, entendendo que primeiro tinha que liquidar as anacondas – óbvio, né!?

Quando me aposentei fiquei sabendo que o tal compêndio havia sido extraviado da academia e podia ser encontrado no submundo das ruas de Budapeste. Existia uma livraria (!!!) especializada em assuntos obscuros e nefastos e que somente alguns clientes muito especiais sabiam como chegar até ela. Assuntos como cabala egípcia, livro de receitas etrusco ensinando a fazer poções venenosas, manual de sexo tântrico para homens-tronco, Tratado de odontologia ensinado extração de dentes sem anestesia, manual de como diminuir cabeças embebidas em poções naturais, manual de tortura javanesa, o livro sagrado de sacrifícios aztecas; enfim, cada coisa arrepiante. A livraria pertencia a uma senhora, chamada Nalatrinova Cortezana – “a bruxa”. Figura assustadora, tinha o cabelo vermelho e a pele cheia de sardas, usava um tapa-olho para disfarçar o buraco deixado por um câncer no globo ocular e dentes limados em formato de presas, combinando com suas unhas em forma de garras. Com 2,10 m de altura, Nalatrinova dominava praticamente, todos os assuntos de sua livraria (?). A última notícia que tive, a seu respeito, foi que havia sido capturada pelo Estado Islâmico, para que os ajudasse a montar uma franquia de sua livraria, nos arredores de Kabul, no Afeganistão.

Sendo assim, prezados, minha conversa com Puck tomou um rumo inesperado, que jamais poderia imaginar. Agora faz parte de um mundo, ao qual me distanciei há muitos anos, me convertendo ao islamismo neo-contemporâneo com influência flamenca.

Vivo em uma pequena casa, feita de troncos de eucalipto, próximo a uma cachoeira, em contato permanente com a natureza, buscando paz para meu coração. Quem sabe um dia, escrevo um livro ou conto minha história para um seriado da Netflix? Sei lá. Deixo a vida me levar...

Menino Kibe


quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

2022, é realmente um Ano Novo?

Nem percebemos e nos vemos no meio de um novo Janeiro, o primeiro mês de um novo ano, ou seja, num piscar de olhos, 2022 acelera seus passos e as coisas novas vão acontecendo, ou melhor, novas? Infelizmente não tão novas assim.

Iniciamos 2022 tal como 2021, um ano que só não foi pior do 2020, que muitos nem se lembram como passou. Um ano que não trás saudades e que  fez nosso relógio biológico acelerar seus ponteiros ao ponto de por alguns momentos até duvidamos que este ano realmente existiu.

Mas nossas redes não param. Os grupos se assemelham nas mensagens. A política parece ser o item mais comum, em geral a maioria se declara favorável ao Presidente, independente do que ele fala ou da forma como age. Os contras, normalmente em menor número, defendem com impressionante garra, e por motivos diversos, nomes de políticos, executivos, e até de juízes,  que conduziram o país a um nível de corrupção jamais visto.

Outros temas também são bem difundidos, como memes de piadas ede futebol, além dos fantásticos nudes, alguns de uma beleza que parecem obras de arte de tamanha perfeição.

Mas de todos os assuntos, o que mais movimenta a maioria de nossas conversas neste iníco de ano, é a danada da COVID-19, a terrível pandemia desse tal  coronavírus, que já aprendemos ser uma síndrome respiratória grave, que iniciou sua matança em 2019, na China, e de lá voou para todas as partes do mundo.

Então não poderia faltar em nosso blog alguns registros dessa fase de nossas vidas, nas palavras de alguns amigos que não escaparam do vírus.

Nosso amigo Frango passa a receita ideal para a COVID:

-Se cuida aí Vieira, muita vitamina C, cerveja, cachaça e cana!!

(Vieira) -Tá difícil fazer teste de COVID. Nem pagando. Eu  tô com essa merda de gripe há uma semana. Me derrubou, mas agora tô quase bom!!!

(Drinks)-Estou sendo cercado... primeiro minha filha, depois genro e neta, caí fora na hora certa. Depois um dos pintores, aqui em casa caiu, ainda não sabemos, mas tudo indica que sim, e hoje tive noticias que dois vizinhos também estão infectados, sendo que estive junto com um deles alguns dias atrás. O Sindico já me confidenciou  que tem uma porrada de gente infectada em nosso Condomínio. É uma quarentena atrás da outra, pois por onde passamos tem unzinho por perto...

(Puck)- Comecei com sintomas quarta noite, semana passada. Congestionamento e dor de cabeça forte, sem febre, muito cansaço, sem tosse. Testei no sábado, positivo. Quadro atual: sem febre, sem congestionamento, sem dor de cabeça, sem voz, e com tosse light. Feriado aqui na segunda, vou passar 4 dias em repouso (começando amanhã) para acabar com todos os sintomas de uma vez por todas.

- Sim, muito triste. Porém, se ajudar, não fui ao médico e não tomei nenhum remédio. Apenas tomei bastante líquido e embora minha filha e genros tenham me dado dicas, nenhuma foi realmente especial. Ou seja, em casos brandos como o meu, da para enfrentar sem gastar dinheiro. Também, trabalhei o tempo todo, não parei.

Betinho PQD foi outro que também pegou a COVID, agora pela segunda vez, mesmo vacinado com as três doses:

- Conversa de 10 minutos com o jovem médico que me entregou o resultado do teste covid... no CMS da Henrique Valadares... 4a. feira passada: "Estamos atendendo cerca de 1.500 pessoas por dia há cerca de 15 dias. O % de positivos chega a 70%... diariamente".  Me sugeriu 14 dias de quarentena. Após esse período eu poderia retornar para repetir o teste.

-Tivemos o primeiro pico de casos em 2020. Tivemos o segundo pico... maior... em 2021. Estamos no terceiro pico... com tendência a ser maior que o segundo... no início de 2022.

-Fico pensando quantas reinfecções meu corpo aguentará. Estou na segunda. Com 69 anos. Estou com saudades dos tempos da Corrêa em que nossa preocupação era a gonorréia.

(Vieira)-Di novo? Também tô na 2a. covid... de molho em casa sozinho pra não contaminar as crianças. Até a cachorra foi pra Jacarepaguá kkkkkkkkk

(PQD)- Uma de minhas filhas tá com covid. A tia e sobrinho tão com covid. O tio tá com covid. Tres inquilinos estão com covid. Dois porteiros estão com covid. O garçom do boteco daqui tá com covid. O marido de outra filha e o filho deles... de 3 anos... estão com covid. A mãe da minha 1a. filha tá com covid.

(Amaro)- Leve?

(PQD)-Sim. Esqueci... eu tô com covid rs

(PQD)- Ah esqueci! Uma das tias de minha filha tá na 3a. covid. Os dois filhos de minha prima de São Lourenço estão com covid.

(Puck)- A situação por aqui é bem semelhante. Não vou listar pois a lista é grande também.

E para fechar o registro de nossa visão para o início de 2022, vamos reproduzir um rápido sumário bem direto e transparente encaminhado pelo nosso confrade Puck, que reside nos EUA e sempre presente em nossos papos:

- Segundo os noticiários... acima citados... EUA... Inglaterra... França e Itália bateram recordes de contaminação.

- 1) o virus omicron foi registrado em 49 estados (são 50, nos EUA).

- 2) a definição está mudando de pandemia para endemia, nos EUA. Pandemia: amplo espectro geográfico e todos. Endemia: amplo espectro porém com configuração de grupos. No caso, predominantemente não vacinados.

- 3) governadores democratas e republicanos estão tentando manter uma sensação de normalidade. Exemplo: tanto NY (dem) como FL (rep) defendem escolas abertas. Isso é problemático pois muitos pais não querem vacinar seus filhos.

- 4) ta difícil de conseguir kit de teste e quando se consegue, é caro.

- 5) os números de infecção são absurdos, 400.000 por dia. Os hospitais estão de novo a beira de colapso.

- 6) vários médicos defendem a mudança da definição de vacinado total de 2 doses para 3.

- 7) existe uma briga escondida de estratégia. Dar 3rd dose em países ricos ou destribuir primeira para países pobres? Questão: países pobres sem vacinação pode repetir o exemplo da SA e criar uma nova variante que exija mais outra dose até que uma nova variante seja forte suficiente para que uma nova vacina tenha de ser criada.

- 8) a coisa é séria e existem uma linha de pensamento em que se discute a possibilidade de tensão social bem acima do que possamos imaginar.

- 9) aumento substancial de internação de crianças. Não se esperam mortes porém o sofrimento dos pequenos é grande, em média 2 semana de internação.

- 10) as autoridades governamentais e médicas não estão se alinhando e isso cria insegurança e espaço para desinformação. Então, para todos nós que estamos numa faixa etária de risco, vale a pena seguir as regras básicas que são: (a) use, sempre que puder,  a melhor máscara que conseguir; (b) vacine-se de acordo com o que for possível e com a interpretação médica mais rigorosa; (c) mantenha o distanciamento social e não aceite a “liberalidade” de não vacinados ou aqueles que já pegaram o vírus e se curaram, ambos são portadores potenciais. De resto, é difícil achar consenso.

(Tuta)- Na verdade, não há um estudo confiável em que se possa definir algo, em relação ao combate da Covid-19. Estamos na 3ª dose e todos estão contraindo o vírus, ainda que com menos intensidade!!! O resto é conversa fiada!!!! E onde tem laboratório farmacêutico envolvido, tem falcatrua!!! Vida que segue, pelo menos somos melhores que os hamsters que são testados em laboratórios. Vâmo ver até quando!!!!

(Puck)- A Merck, um dos principais produtores da Ivermectina, já declarou que o potencial da droga na cura ou prevenção da COVID é baixo. O estudo da Osford começou em 23/07/2021 e foi paralisado (possivelmente abandonado) em 15/12/2021, e segundo a notícia, por falta de abastecimento (muito esquisito).

E poderíamos ficar aqui com as palavras de outros amigos como por exemplo, Charuto, que passou por maus momentos, Kibe , Robson, Márcio, Dellaney, Rose, lá da Alemanha,  que no início deste ano, ou sentiram sintomas leves, ou tiveram contatos com familiares e/ou amigos contaminados, e pelo visto gastaríamos muitas páginas falando a mesma coisa, ou seja, que  2022, com eleições e Copa do Mundo,  não parece realmente ser um Ano Novo, será?

sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

Mensagem do Dia Seguinte

Interessante como a cada final de ano recebemos uma enxurrada  de mensagens de Feliz Natal, de um Grande Ano Novo, Boas Festas e tudo mais para que nossas festas sejam com muito amor e a certeza por dias melhores.  E nosso parceiro Kibe inovou,  nos deixou uma bela  mensagem do dia seguinte, do primeiro dia do ano, onde faz uma rápida reflexão sobre sua trajetória de vida e sua forte esperança por dias melhores.

“Mais um ano que passou e o tempo no seu tempo, registrou a história da humanidade. Lembro-me dos que se perderam no caminho e me admiro ao reconhecer alguns que não via a tempos e os vejo vivos; mais velhos é fato, mas vivos. Que bom!

É natural fazermos uma retrospectiva de nossa vida, do que fizemos e do que poderíamos ter feito, que talvez por falta de coragem deixamos de fazer. Ah! Como me arrependo de não ter feito algumas coisas; de ter não sido mais impetuoso e menos tímido. E me pego pensando como teria sido minha vida se assim tivesse feito. Foram tantos momentos de indecisão, superados ainda bem, pelas decisões tomadas, meio que às cegas, mas em sua maioria dando certo. Ainda bem!

Poderia ter casado com Sandrinha, mas quem sabe se
daria certo? Poderia ter feito outro curso universitário, mas será que estaria feliz? Poderia ter ficado no Rio de Janeiro e talvez não tivesse a oportunidade de ter conhecido outros tantos lugares que me enriqueceram a alma e a vivência. Entre dúvidas e certezas, fica o lucro do que vivi e de quem conheci.

Meus olhos registraram toda minha existência e em minha memória guardo a maioria dos momentos felizes que aqueceram meu coração, e ainda aquecem. Tempos difíceis foram suplantados por tempos de vitórias e conquistas, de felicidades pelo nascimento de filhos e netos; podendo participar do crescimento deles, cada um a seu tempo, cada um com seu jeito de ser e cada um com um “pedacinho” meu do que pude ensiná-los a serem pessoas de bem.

Virei a ampulheta à meia-noite e a areia desce pelo vidro estreito, dando sequência a contagem de mais um ano de vidas, vividas e sentidas em toda a sua plenitude.

Para quem acredita que a vida não se acaba em uma só passagem por este planeta, resta viver bem o tanto que se tem pela frente; e desejo que seja bem longo, com saúde e bem viver!

Que tenhamos um novo ano pleno de saúde e alegrias meus queridos amigos e amigas! Que a paz esteja com vocês e que a Luz Superior ilumine sempre o caminho de todos nós.”

Kibe