domingo, 19 de novembro de 2017

Vento que passa

Vento que passa,
que voa,
cheio de pressa,
me leva pra longe
e nem sei aonde.
E quando chegar,
se um dia chegar,
de pé vou estar,
sem vento na cara,
sem um lenço na mão,
sem qualquer direção,
a espera de um vento,
de um trem,
cheio de pressa,
que me leva pra longe,
não sei nem aonde,
e nem se vou chegar.

domingo, 22 de outubro de 2017

Uma grande emoção



E
moção, talvez seja a melhor palavra para descrever um encontro inesperado que valorizou em muito essa nossa viagem.
Como tem sido nos últimos anos, eu e Raphael, meu filho, viajamos em suas férias para assistir um jogo do Fluminense e conhecer um pouco da cidade onde ocorre a partida. Desta vez a partida escolhida foi contra a Chapecoense, na Arena Condá, na cidade de Chapecó, no oeste de Santa Catarina.
Chapecó é uma cidade moderna, planejada, e considerada a capital brasileira da agroindústria. Segundo informações em seus folhetos turísticos, possui cerca de 185 mil habitantes, e é a sexta cidade mais populosa de Santa Catarina. No Brasil encontra-se entre as 20 cidades de melhores condições de vida para se morar, o que é fácil constatar ao andar em suas ruas. Um povo educado, alegre, e pelo que vimos, a cidade inteira parece torcer pela Chape.
As ruas são largas, limpas, bem sinalizadas, com diversas rotatórias e poucos sinais, porém o pedestre é sempre respeitado e com preferência nas travessias.
Depois de uma viagem um tanto cansativa, com escala em Floripa, chegamos na sexta-feira, na parte da tarde e aproveitamos o dia chuvoso para descansar.  
No dia seguinte, sábado, mais chuva, e a melhor opção foi dar um passeio no shopping, onde dei uma volta num simulador de corridas que não conhecia e foi uma sensação incrível. Se não fosse uma “pequena derrapagem” na primeira volta, teria chance de pódio, segundo o narrador da corrida, Muito maneiro.
Em seguida almoçamos e fomos dar mais um reconhecimento pelo local antes de voltarmos. No meio do caminho um pequeno aglomerado em frente à Livraria. Era o lançamento do livro de Neto, zagueiro da Chape, sobrevivente ao desastre do ano passado. Não podíamos deixar de dar uma passadinha no local.
Uma fila razoável, todos com o livro na mão, e Neto, sentado numa banca, era só sorriso e simpatia. E uma forte dose de emoção nos contagiou. Eu, não sei se por acaso, vestia a camiseta da Chape com a inscrição da Corrêa Dutra, que fizemos em respeito e homenagem à própria Chape, em nosso 18º Encontro, no dia 2 de dezembro, poucos dias depois do trágico acidente.
Foi realmente uma situação irresistível. Nós tínhamos que estar com ele. Mostrar para ele nossa singela homenagem mas que representava todos os corações unidos de nossa turma que uníamos em nossa fé pela melhora dos heróis sobreviventes, entre eles, Neto, que estava agora junto a nós.
Fomos para a fila. Comprei o livro e esperamos nossa vez. Invariavelmente todos comentavam o acontecimento, e mais ainda a condição daquele cara cordial, pronto para autógrafos e fotografias, que nada parecia com um sobrevivente de um grande desastre aéreo, quase um super-homem para nós.
Não demorou muito e chegou a nossa vez. Como não poderia deixar de ser, Raphael, que vestia um casaco do Fluminense, foi logo notado por Neto, que o cumprimentou e de imediato avisou que a Chape não podia perder o jogo. Virou-se para mim e mais uma vez a emoção bateu forte. Mostrei a ele a camiseta com a  data e a inscrição da Corrêa Dutra e expliquei para ele quem somos. Ele ficou impressionado quando comentei sobre nossos Encontros e nossa amizade por mais de cinquenta anos. Contei com mais detalhes sobre a homenagem nas camisetas e nossa fé pela recuperação dos sobreviventes, onde ele estava certamente incluído.  Foi a vez de Neto deixar claro a sua emoção. Se disse impressionado, e nos deixou como lembrança e reconhecimento, não somente seu autógrafo no livro, mas também em nossa camiseta, que não é só minha mas de todos nós da Confraria da Corrêa Dutra.
 
Valeu a pena. Como disse no início, não sei se foi por acaso, mas o fato de estar naquele local, com uma camiseta feita não somente para homenagear, mas acima de tudo para unir nossas mentes e corações na fé pela recuperação dos sobreviventes, foi uma das grandes emoções que eu e meu filho, passamos em nossas vidas.

Resultado do jogo? Não sei, o jogo ainda não começou...

terça-feira, 16 de maio de 2017

Vc é feliz????




V
c é feliz????
Achei interessante esse texto e acredito que é aplicável para qualquer tipo de relacionamento: amoroso, amigável, familiar ou profissional... Vale a leitura! 

Durante um seminário, um dos palestrantes perguntou a uma das esposas:
"Seu marido lhe faz feliz? Ele lhe faz feliz de verdade?"
Neste momento, o marido levantou seu pescoço, demonstrando total segurança. Ele sabia que a sua esposa diria que sim, pois ela jamais havia reclamado de algo durante o casamento.
Todavia, sua esposa respondeu a pergunta com um sonoro "NÃO", daqueles bem redondos!
"Não, o meu marido não me faz feliz"!
O marido ficou desconcertado, mas ela continuou:
"Meu marido nunca me fez feliz e não me faz feliz! Eu sou feliz".
"O fato de eu ser feliz ou não, não depende dele; e sim de mim. Eu sou a única pessoa da qual depende a minha felicidade.
Eu determino que serei feliz em cada situação e em cada momento da minha vida, pois se a minha felicidade dependesse de alguma pessoa, coisa ou circunstância sobre a face da Terra, eu estaria com sérios problemas.
Tudo o que existe nesta vida muda constantemente: o ser humano, as riquezas, o meu corpo, o clima, o meu chefe, os prazeres, os amigos, minha saúde física e mental. E assim eu poderia citar uma lista interminável.
Eu preciso decidir ser feliz independente de tudo o que existe! Se tenho hoje minha casa vazia ou cheia: sou feliz! Se vou sair acompanhada ou sozinha: sou feliz! Se meu emprego é bem remunerado ou não, eu sou feliz!
Hoje sou casada, mas eu já era feliz quando estava solteira.
Eu sou feliz por mim mesma. As demais coisas, pessoas, momentos ou situações eu chamo de "experiências que podem ou não me proporcionar momentos de alegria ou tristeza".
Quando alguém que eu amo morre, eu sou uma pessoa feliz num momento inevitável de tristeza.
Aprendo com as experiências passageiras e vivo as que são eternas como amar, perdoar, ajudar, compreender, aceitar, consolar.
Há pessoas que dizem: hoje não posso ser feliz porque estou doente, porque não tenho dinheiro, porque faz muito calor, porque está muito frio, porque alguém me insultou, porque alguém deixou de me amar, porque eu não soube me dar valor, porque meu marido não é como eu esperava, porque meus filhos não me fazem felizes, porque meus amigos não me fazem felizes, porque meu emprego é medíocre e por aí vai.
Amo a vida que tenho mas não porque minha vida é mais fácil do que a dos outros. É porque eu decidi ser feliz como indivíduo e me responsabilizo por minha felicidade.
Quando eu tiro essa obrigação do meu marido e de qualquer outra pessoa, deixo-os livres do peso de me carregar em seus ombros. A vida de todos fica muito mais leve.
E é dessa forma que consegui um casamento bem sucedido ao longo de tantos anos."
Nunca deixe nas mãos de ninguém uma responsabilidade tão grande quanto a de assumir e promover sua felicidade! SEJA FELIZ, mesmo que faça calor, mesmo que esteja doente, mesmo que não tenha dinheiro, mesmo que alguém tenha lhe machucado, mesmo que alguém não lhe ame ou não lhe dê o devido valor.

Queridos amigos, este tem  que  ser  um  exercício  diário. Vc é feliz????

Kibe

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Kibe conta histórias do Seu Landor



S
empre tivemos na Correa Dutra, personagens incríveis que marcaram nossas lembranças; tanto na Correa de “baixo” quanto na de “cima” vários personagens com características diversas deixaram sua marca em nossa história.

Dentre elas, trago a lembrança de Landor de Lima ou simplesmente Landor ou melhor ainda, “seu” Landor. Um malandro do início dos anos 60, mas que não fazia o tipo do malandro do morro, daqueles de terno de linho branco, chapéu de palha e sapato duas cores. 

Landor fazia um tipo diferente, morador do 131, era aquele camarada que no final da tarde, aparecia no bar do Manolo, próximo à Bento Lisboa, trajando sua calça de Tergal (talvez comprada na Ducal), uma camisa sempre clara, de manga curta, para dentro da calça – segura por um cinto fino de couro que combinava em cor com seu mocassim. Elegante? Não diria; mas de semblante barbeado, com um bigodinho fininho e bem cuidado sobre o lábio, Landor com a altivez de um empresário bem sucedido, se encostava no balcão e pedia uma dose de cachaça Crioula – Ele detestava Praianinha (não sei porque) e um pedaço de torresmo; uma dose pro santo, seguindo o ritual já estabelecido e começava os “trabalhos” puxando conversa com os outros fregueses e amigos que ali já estavam. 

Interessante, falarmos ou pensarmos no “seu” Landor como empresário, pois um detalhe importantíssimo deve ser dito: O bacana nunca trabalhou. Dizia que “uma pessoa como ele não poderia receber um salário qualquer. Tinha de ser um valor que fizesse jus a sua qualificação”. E nessa, é claro, não havia salário que lhe atendesse; até porque ele nunca procurou emprego. Vivia do trabalho de sua mulher, Dona Chiquinha, mulher guerreira, que veio jovem do Rio Grande do Norte e por missão ou infortúnio casou-se com Landor. Foi pelo talento na arte de fazer cortinas, que Dona Chiquinha sustentou seu único filho e seu marido (ou feitor como queiram).

Landor foi durante um período, “corretor zoológico”, traduzindo: bicheiro. E foi por conta deste desvio de função anterior ao de decorador/empresário que certo dia, a polícia fechou a rua para prender todos os bicheiros. Foi um corre-corre, era tanta gente correndo e buscando se esconder, que ninguém reparou naquele baixinho que entrou no prédio 131 e simplesmente sumiu. Vários bicheiros foram presos. Faltava um, diziam. Simplesmente fugiu, diziam outros. Nem sinal de Landor, que apesar de morar neste prédio, não estava em casa; talvez, debaixo da cama, como se pensou.

Ah! Mas Landor não seria Landor se sua perspicácia não tivesse lhe valido a ideia de se esconder dentro da cisterna do prédio. O homem pulou dentro da cisterna de 3 m de profundidade e ficou agarrado na tubulação; puxou a tampa e ficou ali até a polícia ir embora. Somente Oswaldo, o porteiro sabia que ele estava ali.

Landor saiu de seu esconderijo, ensopado, mas com sua altivez de sempre e disse: Não podem prender um homem de minha envergadura! Imaginem, eu, no camburão. Pois sim!
 
Assim era Landor, que apesar de seu nome ímpar, refletia bem a malandragem de uma época, que chega até a ser ingênua, perto do que vemos hoje.


Tem mais histórias de Landor, depois eu conto mais.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Nós somos jovens, jovens



J
á dizia nossa vizinha Angélica, pelos idos de 1992, que “nós somos jovens”, “somos o exército do surf”. Versão de uma música francesa de 1964, até hoje lembrada por todos nós.

É verdade que no nosso grupo não tivemos muitos surfistas, mas a grande maioria esteve, está ou deseja estar junto ao mar. Crescemos no Brejo, mae sempre que podíamos estávamos nas areias quentes e nas ondas do Arpoador, Ipanema, e mais tarde, na Barra e Recreio, que cresceram junto com a gente.

As orlas das praias se transformaram com o tempo. Novas casas, prédios altos e baixos, calçadas largas, quiosques e tudo mais que cresceram mais ou menos rápido, dependendo do local.

Diria que seus entornos já não são tão jovens, mas as areias e suas ondas, pouco ou quase nada mudaram. E é assim que acontece com todos nós.  Nosso corpo mudou, uns engordaram, outros emagreceram, nossas rugas começaram a aparecer, mudaram nossas faces, os cabelos, de alguns sumiram,  outros embranqueceram, e nossos órgãos internos já não são os mesmos de 50, 60 anos atrás. Então por que somos jovens? Nós somos jovens?

Nossa cabeça nos diz que nós somos jovens, somos o exército do surf, estamos sempre a cantar, sempre a deslizar, a dançar, amamos o mar, e no balanço, queremos alguém junto a cantar, tal como praticamente diz a letra da música. No entanto, o que ela não consegue dizer é quem deve estar junto de nós para dançar e cantar.

O problema é que enquanto o cérebro, órgão racional, apenas nos mostra o caminho da juventude, de como nos manter jovens, como as areias e as ondas do mar, nosso coração, de forma passional, nos carrega para a emoção, e de certa forma, nos envelhece, quando, por exemplo, não conseguimos estar junto com quem gostaríamos de estar.

Com o avanço das redes sociais, várias turmas conseguiram se reunir, se reencontrarem, trazer lembranças, de todos os tipos, algumas com cicatrizes, umas grandes, outras imperceptíveis para terceiros, mas que nunca se apagarão para quem as carrega. São essas marcas, que verdadeiramente envelhecem o homem e a mulher.

As rodas de conversas continuam como antes, na maioria do tempo dividas entre os jovens que falam de futebol, bebidas, sexo, música e daquelas meninas de 40 anos atrás. É um “papo reto”, com muitas risadas e lembranças de fatos típicos, sempre repetidos nos anos seguintes, e dos amigos que já partiram, vistos como heróis, protagonistas de lendas e histórias.

Elas se atualizam mais, apresentam fotos de filhos e netos, comentam sobre os famosos regimes para manter as formas, e claro, como não poderia deixar de ser, dos rapazes da época, dos mais bonitos, que hoje mudaram muito, daqueles que pouco mudaram, daqueles que foram fisgados, e dos que conseguiram escapar.

Em alguns momentos os grupos se misturam, dançam e conversam. Não tem como evitar as piadinhas de alguns jovens que não conseguem manter a maturidade necessária para tentar evitar pequenos constrangimentos. A vantagem é que nos grupos, em geral, sempre aparecem os mais observadores, mais comprometidos em manter a coesão do grupo, talvez um pouco menos jovens, e que conseguem fazer com que nada avance além de algumas risadas escondidas.

No meio do papo, em qualquer bloco de conversas, sempre é lembrado que fulano ficou com ciclano, beltrano com sicrano, e zutano com ninguém. Sabem, ou ficam sabendo, que anos depois, fulano casou com sicrano e zutano casou várias vezes, e assim por diante. E chegam aos dias atuais com as devidas atualizações, é a base para esticar os papos e os drinks.

No entanto, esse é um tipo de papo que tem que ser mais racional, pois de uma forma ou de outra pode ir além das simples lembranças, pode até machucar. É a força do coração, que lança armadilhas para o envelhecimento precoce do jovem,  além de possíveis rachaduras no corpo do grupo.

E para responder ao questionamento quanto ao porque ainda somos jovens, imagino que assim continuaremos enquanto conseguirmos manter um equilíbrio, mesmo que não seja perfeito, entre o racional de nossos cérebros e a emoção que emana de nossos ardilosos corações.  E para combater essas armadilhas, temos que entender a letra da música, sem ser preciso desenhar, como diriam alguns jovens de hoje. Além de uma pequena dica dos mais velhos, a de não deixarmos que a danada da emoção invada além dos muros de nossas individualidades.

Exército do Surf
L'esercito del surf. (Pattacini - Mogol)
vs: Neusa de Souza

Nós somos jovens
Jovens, jovens
Somos o exército do surf
Sempre a cantar
Vamos deslizar
E quem não souber
Eu vou ensinar
Vou dizer porque
Amo tanto o mar
Balançando assim
Você junto a mim
Vivo a cantar