quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Cine Azteca



Local de minha formatura do curso primário, feito com louvor na Escola I-IV Rodrigues Alves. Era também um local de freqüentes iniciações no amor. Quem quiser que se veja no relato abaixo:

Dois imponentes leões guarneciam a sua entrada e eram pontos de referência para os encontros. O ambiente escuro era encorajador ao início de um “relacionamento”. As palavras tornavam-se desnecessárias. Havia um código mudo de entendimento entre os pares: se a menina aceitasse o convite para ir ao “Azteca”, firmava-se, mesmo que de forma velada, um início de compromisso. Ele chegava primeiro. Nas pontas dos pés, adquiria os bilhetes que seriam entregues ao porteiro, fardado, que após recolhê-los, os rasgariam e depositaria suas partes em uma urna transparente, enquanto rolaria a roleta, com um sorriso de carimbo estampado no rosto, após pedir e conferir as “identidades” do casal.

Quantas esperas “ao lado do leão”....a expectativa (será que ela vem?)...o sorriso (você chegou na hora...)....a indecisão (pego na mão? E se ela tirar a mão?)... tudo seria “definido” quando as luzes se apagassem. Sentados, enquanto as cortinas não se abriam e as luzes não eram apagadas, havia uma nervosa conversa de aproximação. Quando as luzes, gradativamente, começavam a se apagar, uma mão, como obedecendo a um código de comportamento, infiltrava-se pelo encosto da poltrona sinalizando a intenção de aproximação. O próximo passo era dela. E ela sabia. Se acomodasse o corpo em direção ao corpo dele, aceitasse e correspondesse ao toque em seu ombro e girasse a cabeça com um convidativo sorriso... a relação estava consagrada e os primeiros beijos aconteciam, selando o compromisso.

Diversas vezes, casais assistiam a diversas sessões para prolongar aquele primeiro momento.

As poltronas do Azteca foram testemunhas de muitos “primeiros beijos” e “juras de amor eterno” trocados entre jovens que descobriam o amor e mal conseguiam pousar os pés no chão forrado de tapete.

Impossível ficar impassível diante da foto de demolição do Azteca.

Abraços.

Byra

5 comentários:

J Drinks disse...

Gostei Byra

Senti muito quando os Leões foram embora mas é a força do progresso, quando para alguns os leões são vistos como "elefantes brancos" que atrapalham o desenvolvimento, qdo na realidade deveriam ser vistos com os olhos da cultura. Infelizmente para o Rio, infelizmente para nós.

bjão
"drinks for ever"

Drinks&Kibe disse...

Amigos, Quando vi a foto do Azteca colorida, não resisti, e como última homenagem, decidi expô-la para apreciação e lembranças.
Byra, em seu comentário, destacou o lado romântico daquele que foi palco de tantas histórias de amor, mas também deu lugar a muitas outras histórias hilárias. Como naquele dia em que éramos mais de dez e fomos assistir "Tarzan no Rio Negro". Um filminho de 5ª categoria, que em uma das aberrações nos mostrou Tarzan correndo com um leão desde o Jardim Zoológico, lá em São Cristóvão, até o Instituto Goeldi, em Belém. Meu Deus!
Mas deixemos o filme pra lá. O interessante é que os mais de dez, entraram e depois de um pequeno “empréstimo” na pastelaria do chinês, de um pratinho de plástico - que Derzemar soube guardar tão bem em seu macacão jeans, a sessão começou.
Tinha uma cena em que aqueles que já tinham visto o filme, foram fantásticos. Tarzan chegava à beira de um precipício e via a cambada de africanos láááá em baixo. O que fazer? Foi então que alguém gritou: "Tarzan! Tarzan!" O ator se virou como se tivesse escutado. "A pedra! Pega a pedra!" Tarzan, então, olha pra baixo e pega uma pedra gigantesca e atira lá de cima....o cinema veio abaixo. Momento em que o pratinho de plástico voa que nem um disco voador e só para na tela, que balança formando marolas. A zona estava formada. As luzes se acenderam, os "lanterninhas" corriam de um lado pro outro, tentando identificar quem jogou o prato. A galera se levantou e começou a sair de fininho, mesmo que fosse correndo. A confusão se estendeu porta a fora e saímos correndo para nosso refúgio, território imperial onde nos sentíamos mais seguros: a Rua Corrêa Dutra.
As "joaninhas" não tardaram a chegar, e lembro que o Derzemar foi o único que os PMs queriam pegar. E foi uma situação tão ridícula. Um PM gordo de um lado de um fusquinha, mandando o Derzemar parar e ele do outro dizendo que não, que não tinha nada a ver com aquilo; e ficaram assim, brincando de gato e rato, rodeando o fusquinha: Pára aí! Eu não, sai pra lá, meu chapa! Você tá preso! Então vem me pegar! Até conseguirem prendê-lo.
Não me lembro se o prenderam e se assim o fizeram, quem foi que soltou-o. Mas sei que no dia seguinte ele estava lá com a gente, de novo e todos nós rindo daqueles dias de Cine Azteca, em que as vezes protagonizávamos cenas melhores do que as que passavam em suas telas.

Bjs.

Kibe.

Byra disse...

Kibe e galera...

Vejam o que é a idade... Vendo a foto colorida constato que as 'gárgulas' gigantes na entrada do Azteca eram tudo: lagarto, jacaré ou uma mistura de répteis, menos leões....rs

Houve uma 'mistura' de lembranças em mina crônica: os leões eram do 'plástico' de propaganda do Cine Veneza. Onde iamos, uma vez ao mês, levados por nossos pais, assitir "Tom e Jerry" e, na ocasião, era distribuído ás crianças, na entrada, um 'belo plástico com a imagem de um Leão'.
Pronto. Esclarecido.
Na crônica inicial onde está escrito "dois imponentes leões", leiam "várias estátuas de estranhos répteis", ficará mais de acordo com a realidade.
Perdoem ao vovô....risos

Núcleo de Integração disse...

Compactuo com todos os comentários e fica dificil de descrever o qto o cine Azteca participou de nosso crescimento ... realmente vi muitos filmes e marcações de encontros ... até para lanchar na Amazonia ... caramba !!! Qtas lembranças boas !!! Como disse o Drinks, a modernidade as vezes nos leva o lado material ... mas as lembranças ... essas são eternas.

Bjus
Goda

Pauinho disse...

Fiz um comentário usando a pasta de meu serviço ... valeu .. Goda